
Ela chegou num sábado ensolarado e colorido da primavera carioca. Pequena e plena de saúde, ainda me lembro de ver o pai exibindo-a, orgulhoso e emocionado, aos parentes, pela vidraça da enfermaria. A zona sul estava mais populosa, era mais uma carioca da gema que desembarcava na cidade maravilhosa. Sua graça: Eduarda; mais tarde apenas Duda; nascida no Dia de Todos os Santos; essa vai ser de lascar [pensei!].
Ela chorava forte e firme, mas apenas para dizer: cheguei! E não se parecia em nada com aquele bebê frágil, magrinho e de dedos longos que mamãe, um dia, chegou em casa mostrando para a gente. Acho que Deus pegou esse bebê (a mãe dela) e deu um F5, o que resultou nessa coisinha pequena, mas de presença marcante, que acabara de chegar.
E assim veio ao mundo a terceira geração de uma família de mulheres - fortes. Primeira neta (de ambos os lados), primeira filha (de ambos os lados), primeira sobrinha (de ambos lados), enfim, Duda chegou mostrando que veio para ocupar as primeiras fileiras e convocou, logo de cara, todos os santos para garantir que as coisas não serão diferentes.
Quando ela começou a crescer e se relacionar com o mundo a sua volta, duas coisas sempre me impressionavam, quando eu a observava: sua determinação em dar atenção apenas a quem lhe interessava e sua extrema precisão, para uma criança de pouco mais de um ano, para tocar e mover objetos pequenos. Estabanada do jeito que sou, me deliciava ao vê-la manusear meus pequenos souvenirs; ela nunca quebrou nenhum!
Mas o tempo tem passado rápido e, aos quatro anos, essa cabrocha cabocla vem se transformando numa morena linda, de cabelos cada vez mais longos e negros e um sorriso encantador, plenamente harmonizado com seu nariz singular e cílios alongados; ela lembra demais minha irmã Fabiola, mas numa versão up.
Outro dia, pensando no futuro dela, apostei que ela seria médica, como a avó; e a imaginei, na juventude, como uma típica carioca da zona sul, rebolando pelo calçadão de Copacabana, de sandália e saída de praia, a cumprimentar pessoas com o sotaque malandro e mole dos cariocas; uma rata de praia.
Errei! Para começar, a garota não curte praia e só fala com quem ela quer; jamais vai distribuir simpatia pelo calçadão mais famoso do mundo; mas pela precisão motora e grande concentração que demonstra - só agora percebo que ela mais parece uma Amazona - ela talvez seja.... ah, sei lá!
O que sei é que por conta dessas voltas que o mundo dá, a Duda, hoje, cresce entre guarás, brilhos de fogo e botos cor de rosa; sob o sol do equador; num ponto eqüidistante entre os trópicos, a menina do Rio agora é Menina da Floresta.
Outro dia, pensando no futuro dela, apostei que ela será ativista ambiental; imaginei-a, na juventude, rodando a saia nas marabaixadas do meio do mundo, a entoar o canto de casa, apreciando a beleza Rio-Mar, comendo maniçoba e tomando sorvete de taperebá.
Ela chorava forte e firme, mas apenas para dizer: cheguei! E não se parecia em nada com aquele bebê frágil, magrinho e de dedos longos que mamãe, um dia, chegou em casa mostrando para a gente. Acho que Deus pegou esse bebê (a mãe dela) e deu um F5, o que resultou nessa coisinha pequena, mas de presença marcante, que acabara de chegar.
E assim veio ao mundo a terceira geração de uma família de mulheres - fortes. Primeira neta (de ambos os lados), primeira filha (de ambos os lados), primeira sobrinha (de ambos lados), enfim, Duda chegou mostrando que veio para ocupar as primeiras fileiras e convocou, logo de cara, todos os santos para garantir que as coisas não serão diferentes.
Quando ela começou a crescer e se relacionar com o mundo a sua volta, duas coisas sempre me impressionavam, quando eu a observava: sua determinação em dar atenção apenas a quem lhe interessava e sua extrema precisão, para uma criança de pouco mais de um ano, para tocar e mover objetos pequenos. Estabanada do jeito que sou, me deliciava ao vê-la manusear meus pequenos souvenirs; ela nunca quebrou nenhum!
Mas o tempo tem passado rápido e, aos quatro anos, essa cabrocha cabocla vem se transformando numa morena linda, de cabelos cada vez mais longos e negros e um sorriso encantador, plenamente harmonizado com seu nariz singular e cílios alongados; ela lembra demais minha irmã Fabiola, mas numa versão up.
Outro dia, pensando no futuro dela, apostei que ela seria médica, como a avó; e a imaginei, na juventude, como uma típica carioca da zona sul, rebolando pelo calçadão de Copacabana, de sandália e saída de praia, a cumprimentar pessoas com o sotaque malandro e mole dos cariocas; uma rata de praia.
Errei! Para começar, a garota não curte praia e só fala com quem ela quer; jamais vai distribuir simpatia pelo calçadão mais famoso do mundo; mas pela precisão motora e grande concentração que demonstra - só agora percebo que ela mais parece uma Amazona - ela talvez seja.... ah, sei lá!
O que sei é que por conta dessas voltas que o mundo dá, a Duda, hoje, cresce entre guarás, brilhos de fogo e botos cor de rosa; sob o sol do equador; num ponto eqüidistante entre os trópicos, a menina do Rio agora é Menina da Floresta.
Outro dia, pensando no futuro dela, apostei que ela será ativista ambiental; imaginei-a, na juventude, rodando a saia nas marabaixadas do meio do mundo, a entoar o canto de casa, apreciando a beleza Rio-Mar, comendo maniçoba e tomando sorvete de taperebá.
Ah, devaneios meus!
Ela é forte, o suficiente, para nos surpreender construindo sua própria história.
Aos três anos de vida, e sem medo da Floresta, ela assistia a abertura da novela das oito – Paraíso Tropical – e dizia: é ali que eu moro! Apontando para a Praia do Leme. Por isso sei que ela não precisa de ninguém a imaginar seu futuro: quem sabe de onde vem, jamais se perde pelos caminhos por onde vai.
Quando ela ainda era um bebê, recebi, quase que por acaso, a missão de, no ritual que marca o início da vida cristã (o batismo), consagrar seu coração ao espírito de Nossa Senhora; o que fiz sem a sua autorização - afinal, ela ainda não nos disse se quer ser cristã - mas com grande emoção.
Em nosso último encontro, percebi que ela continua com aquela mania de dar atenção somente a quem lhe interessa e no momento certo. Fiquei na minha, afinal, respeito é bom e eu também gosto. Lá pelas tantas, ela correu em minha direção e abraçou minhas pernas sorrindo, sem me olhar, mas dizendo ao meu coração: Oi tia! Senti sua falta!
Afaguei suas costas e, mais uma vez, sem sua permissão, renovei os votos que consagraram seu coração ao espírito de Nossa Senhora, mesmo sabendo que ela traz consigo a força de todos os santos espíritos, inclusive os da Floresta.
Ela é forte, o suficiente, para nos surpreender construindo sua própria história.
Aos três anos de vida, e sem medo da Floresta, ela assistia a abertura da novela das oito – Paraíso Tropical – e dizia: é ali que eu moro! Apontando para a Praia do Leme. Por isso sei que ela não precisa de ninguém a imaginar seu futuro: quem sabe de onde vem, jamais se perde pelos caminhos por onde vai.
Quando ela ainda era um bebê, recebi, quase que por acaso, a missão de, no ritual que marca o início da vida cristã (o batismo), consagrar seu coração ao espírito de Nossa Senhora; o que fiz sem a sua autorização - afinal, ela ainda não nos disse se quer ser cristã - mas com grande emoção.
Em nosso último encontro, percebi que ela continua com aquela mania de dar atenção somente a quem lhe interessa e no momento certo. Fiquei na minha, afinal, respeito é bom e eu também gosto. Lá pelas tantas, ela correu em minha direção e abraçou minhas pernas sorrindo, sem me olhar, mas dizendo ao meu coração: Oi tia! Senti sua falta!
Afaguei suas costas e, mais uma vez, sem sua permissão, renovei os votos que consagraram seu coração ao espírito de Nossa Senhora, mesmo sabendo que ela traz consigo a força de todos os santos espíritos, inclusive os da Floresta.

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