
Saí. Bati a porta com o coração aos prontos, mas determinada e confiante no futuro. Deixei a chave no encaixe da fechadura e construí algumas pontes, que iluminei, cuidadosamente, talvez para ter certeza de que saberia voltar, se precisasse. E assim, feito João e Maria, entrei na floresta deixando um rastro de miolo de pão, sem perceber que as aves, famintas, apagavam minha trilha.
Quando eu era criança me ensinaram que os crentes sempre são felizes. E quem não quer ser feliz? Então, acreditei! O que eu ainda não sabia era que acreditar é verbo transitivo, ou seja, é carente, por definição, de complementos. Sozinho é ambíguo e incompleto de sentido. E isso é muito mais do que uma querela sintático-semântica da Língua Portuguesa. Acreditem!
Desde, então, venho aprendendo a reconhecer esses complementos: afinal, quem não quer ser feliz? E hoje sei que todo crente que prospera na prática do acreditar é antes de tudo: fiel, perseverante e confiante.
Fiel as suas crenças, incansável na busca daquilo que se acredita e confiante nas coisas e pessoas necessárias para tornar viável o que se acredita. E quando esses três atributos se articulam, eis um homem de fé.
Achei que tinha descoberto o fogo, até que um dia me dei conta de que o fiel, o perseverante e o confiante/confiável são atributos qualificativos de um sujeito e não, necessariamente, de todos. Portanto, restritivamente, nem todos somos fiéis, perseverantes e confiantes/confiáveis.
Achei que tinha descoberto a roda, até que outro dia me dei conta de que a norma culta da Língua não dava conta de explicar o que estava diante de mim, que diante da anima mundi percebia, perplexa, que "ser" fiel, perseverante e confiante/confiável é, na verdade, um "estado", um modo de ser, num dado momento, e não um ser em si, absoluto.
Ninguém é, as pessoas “estão” fiéis, perseverantes e confiáveis/confiantes (crentes).
E desses três estados de alma o mais complexo me pareceu aquele relacionado à confiança. Ninguém confia apenas porque quer, não temos o domínio sobre ela. A confiança só se estabelece, porque alguém se manifesta confiável; a confiança não mora em mim, que confio, e, sim, em ti, que se manifestou confiável. Logo, querer estar confiável é condição primeira. Logo, tu és responsável pelo estado de confiança que despertartes em mim.
Essa consciência (superior), que condena uns e salva outros, não necessariamente nessa ordem, atribuiu novos significados as minhas crenças, colocando-me, mais vez, diante da responsabilidade pelo bom uso do meu livre arbítrio e lembrando-me que o presente, o passado e o futuro estão inexoravelmente ligados as minhas escolhas.
E assim, diante da anima mundi, escolhi:
Quero continuar em “estado” crente - fiel, perseverante e confiante no que se manifesta confiável, o que inclui a mim mesma, mesmo quando a recíproca não for verdadeira, mesmo quando admitir o engano for tudo que me resta.
Saí. Bati a porta com o coração pequeno e calmo. Determinada e confiante no futuro joguei a chave fora, não construí nem iluminei pontes e não deixei rastro de miolo de pão, mas olhei para trás, pois queria ter certeza de que não me transformaria em pedra de sal. Caminhei por um longo tempo sob uma chuva fina, que mais parecia um lamento, e aos poucos a vida foi se apresentando a mim plena e confiável.
E eu?
Refiz meus votos de fé no fluxo da vida, pois se nada acontece por acaso, felizes são os acreditam.
Quando eu era criança me ensinaram que os crentes sempre são felizes. E quem não quer ser feliz? Então, acreditei! O que eu ainda não sabia era que acreditar é verbo transitivo, ou seja, é carente, por definição, de complementos. Sozinho é ambíguo e incompleto de sentido. E isso é muito mais do que uma querela sintático-semântica da Língua Portuguesa. Acreditem!
Desde, então, venho aprendendo a reconhecer esses complementos: afinal, quem não quer ser feliz? E hoje sei que todo crente que prospera na prática do acreditar é antes de tudo: fiel, perseverante e confiante.
Fiel as suas crenças, incansável na busca daquilo que se acredita e confiante nas coisas e pessoas necessárias para tornar viável o que se acredita. E quando esses três atributos se articulam, eis um homem de fé.
Achei que tinha descoberto o fogo, até que um dia me dei conta de que o fiel, o perseverante e o confiante/confiável são atributos qualificativos de um sujeito e não, necessariamente, de todos. Portanto, restritivamente, nem todos somos fiéis, perseverantes e confiantes/confiáveis.
Achei que tinha descoberto a roda, até que outro dia me dei conta de que a norma culta da Língua não dava conta de explicar o que estava diante de mim, que diante da anima mundi percebia, perplexa, que "ser" fiel, perseverante e confiante/confiável é, na verdade, um "estado", um modo de ser, num dado momento, e não um ser em si, absoluto.
Ninguém é, as pessoas “estão” fiéis, perseverantes e confiáveis/confiantes (crentes).
E desses três estados de alma o mais complexo me pareceu aquele relacionado à confiança. Ninguém confia apenas porque quer, não temos o domínio sobre ela. A confiança só se estabelece, porque alguém se manifesta confiável; a confiança não mora em mim, que confio, e, sim, em ti, que se manifestou confiável. Logo, querer estar confiável é condição primeira. Logo, tu és responsável pelo estado de confiança que despertartes em mim.
Essa consciência (superior), que condena uns e salva outros, não necessariamente nessa ordem, atribuiu novos significados as minhas crenças, colocando-me, mais vez, diante da responsabilidade pelo bom uso do meu livre arbítrio e lembrando-me que o presente, o passado e o futuro estão inexoravelmente ligados as minhas escolhas.
E assim, diante da anima mundi, escolhi:
Quero continuar em “estado” crente - fiel, perseverante e confiante no que se manifesta confiável, o que inclui a mim mesma, mesmo quando a recíproca não for verdadeira, mesmo quando admitir o engano for tudo que me resta.
Saí. Bati a porta com o coração pequeno e calmo. Determinada e confiante no futuro joguei a chave fora, não construí nem iluminei pontes e não deixei rastro de miolo de pão, mas olhei para trás, pois queria ter certeza de que não me transformaria em pedra de sal. Caminhei por um longo tempo sob uma chuva fina, que mais parecia um lamento, e aos poucos a vida foi se apresentando a mim plena e confiável.
E eu?
Refiz meus votos de fé no fluxo da vida, pois se nada acontece por acaso, felizes são os acreditam.

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